Irrigação de precisão nos vinhedos da Salton na Campanha Gaúcha

Cachos de uvas verdes em vinhedo da Salton na Campanha Gaúcha

A disponibilidade de água é uma variável estratégica na produção de uvas da Campanha Gaúcha. A região combina verões quentes, elevada amplitude térmica e menor volume de chuva do que outras áreas produtoras do Sul do Brasil, conforme a apresentação institucional da Salton sobre a Campanha. Quando a distribuição das chuvas se torna irregular, decidir o momento e a quantidade de água aplicada deixa de ser uma escolha baseada apenas no calendário.

Nos vinhedos próprios da Azienda Domenico, em Santana do Livramento, a Salton vem associando irrigação por gotejamento, armazenamento de água de chuva, sensores e automação. O conjunto permite acompanhar as condições do solo e ajustar o manejo com mais informação, sem confundir irrigação com aplicação indiscriminada de água.

Gotejamento leva água à região das raízes

O Relatório de Sustentabilidade 2024 da Salton informa que a unidade utiliza barragens para captar água da chuva. A água armazenada alimenta um sistema de gotejamento que entrega pequenas quantidades junto às plantas.

Essa forma de aplicação cria condições para controlar o volume por setor e reduzir perdas que ocorreriam com uma distribuição menos direcionada. O resultado, porém, depende de projeto hidráulico, uniformidade dos emissores, filtragem, manutenção e decisões de manejo coerentes com o solo e com a fase da cultura. O gotejamento é a infraestrutura; a precisão vem da combinação entre essa infraestrutura, medição e rotina operacional.

Sensores e automação apoiam a decisão

Em 2024, a empresa relatou a automação do sistema em novas áreas plantadas. Segundo o documento, a solução passou a controlar em tempo real o volume distribuído e a utilizar sensores de umidade do solo. A programação remota também permite priorizar horários de menor evaporação.

O Relatório de Sustentabilidade 2025 apresenta duas informações que precisam ser lidas em conjunto: a irrigação alcança 100% dos vinhedos plantados, enquanto a automação estava presente em 16% dos vinhedos naquele ano. Portanto, área irrigada e área automatizada não são sinônimos.

O resumo institucional da Jornada Consciente Salton reforça que o manejo na Azienda Domenico combina gotejamento, automação e sensores capazes de acompanhar a umidade do solo. Essa leitura ajuda a explicar a evolução do projeto: primeiro existe a capacidade de irrigar; depois, a instrumentação amplia o controle sobre quando e quanto aplicar.

Água de chuva, armazenamento e eficiência

As barragens da propriedade têm papel importante porque captam e armazenam água de chuva para utilização nos vinhedos. Essa origem é registrada nos relatórios da Salton, que também deixam claro que o consumo destinado à irrigação não está incluído no indicador corporativo de água consumida nas unidades.

Essa ressalva evita uma comparação enganosa. Uma redução no consumo industrial total não pode ser automaticamente apresentada como economia de água na irrigação. Para avaliar a eficiência do manejo no campo, seriam necessários indicadores próprios, como volume aplicado por setor, umidade antes e depois da irrigação, uniformidade, chuva efetiva e resposta das plantas.

O que a reportagem sobre o projeto acrescenta

A matéria publicada pelo portal A Vindima em 26 de novembro de 2025 é a fonte imediata do conteúdo que originou este artigo. O veículo atribui ao administrador da unidade, Junior Marques, a avaliação de que a instabilidade climática e a baixa ocorrência de chuvas na primavera e no verão motivaram o investimento.

De acordo com a reportagem, a umidade era acompanhada por instrumentos posicionados em mais de uma profundidade, com leitura dos dados em tempo real. O portal registra como referência operacional uma média de 90 mil litros por hectare por semana, ajustável conforme o clima, e atribui à equipe da unidade a percepção de maior uniformidade dos vinhedos e prolongamento da maturação em até duas semanas.

Esses números descrevem o caso apresentado pelo portal e não devem ser convertidos em recomendação geral. Necessidade hídrica, capacidade do solo, idade das plantas, variedade, sistema de condução e condições meteorológicas mudam de uma área para outra. Copiar uma lâmina ou um calendário sem diagnóstico pode gerar tanto déficit quanto excesso de água.

A reportagem credita à DG Aggro a execução do sistema e informa que o dimensionamento considerou características do solo, necessidade hídrica regional e evapotranspiração. Segundo o veículo, a solução inclui supervisão remota, automação e programação em horários mais favoráveis. O portal também relaciona a irrigação a práticas de fertirrigação, que exigem controle técnico próprio para dosagem, compatibilidade de produtos e prevenção de entupimentos.

O que outros vinhedos podem aprender com o caso

O principal aprendizado não é um volume fixo de água, mas a organização do processo de decisão. Um projeto de irrigação de precisão precisa conectar quatro camadas:

  1. Disponibilidade hídrica: origem, armazenamento e regularidade da água.
  2. Distribuição: setores, tubulações, filtros, emissores e uniformidade.
  3. Monitoramento: umidade do solo, chuva, clima e comportamento das plantas.
  4. Operação: critérios para iniciar, interromper e revisar cada irrigação.

Quando essas camadas são acompanhadas, a equipe consegue comparar a condição observada com a resposta do vinhedo e aperfeiçoar o manejo ao longo das safras. Automação e sensores reduzem etapas manuais e ampliam a rastreabilidade, mas não substituem dimensionamento agronômico, inspeções de campo e manutenção preventiva.

Conclusão

O caso da Salton mostra como gotejamento, captação de chuva e dados do solo podem fazer parte de uma estratégia de adaptação operacional na Campanha Gaúcha. As fontes institucionais confirmam a expansão gradual da automação, enquanto a reportagem de A Vindima acrescenta detalhes sobre o projeto e os resultados observados pela equipe.

Para uma propriedade que avalia solução semelhante, o próximo passo é mapear sua demanda hídrica, capacidade de armazenamento, setores de irrigação e pontos de medição antes de escolher equipamentos. Continue pelos conteúdos do blog da Elysios para conhecer aplicações de sensores, automação e manejo da irrigação, e valide o projeto com profissionais habilitados para a realidade da sua cultura.

Nota editorial: este artigo foi elaborado a partir de informações públicas e não indica relação comercial entre Elysios, Salton ou DG Aggro. Dados específicos do projeto atribuídos à reportagem devem ser lidos no contexto do caso descrito, e não como recomendação agronômica universal.

Fontes consultadas

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