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A tecnologia como aliada da sustentabilidade

Sumário

Aplicativo de rastreabilidade auxilia na obtenção de certificação e reconhecimento oficial de sistemas agroflorestais.

Em busca de uma agricultura sustentável, que recupere áreas degradadas e reverta o desequilíbrio ambiental, os sistemas agroflorestais – SAFs são alternativas que vem ganhando adeptos no Brasil. O primeiro registro científico no país foi em 1962, na região Sudeste, e inicialmente eram compostos por apenas uma espécie florestal – eucaliptos e pinus – e uma agrícola. Nos últimos anos, esses sistemas vêm sendo ampliados e passaram a ser uma alternativa de agricultura, que através do plantio sustentável de alimentos também promove a recuperação de florestas. E, agora, conta com a tecnologia para ajudar a administrar – e comprovar – que o trabalho está sendo feito da melhor maneira.

No litoral norte do Rio Grande do Sul, o produtor agroecológico Michel Lara de Oliveira utiliza um aplicativo para registrar e organizar o plantio e a produção de mais de cem espécies de folhosas, frutas e plantas alimentícias não convencionais (PANCs), município de Três Forquilhas. “São projetos distintos nas diferentes regiões do terreno. No pomar agroflorestal, por exemplo, eu planto árvores frutíferas e, embaixo, outras espécies que adubam o solo e reciclam os ingredientes. Eu trabalho também com jardim agroflorestal, silvicultura, cada uma tem um tempo, algumas tu consegue consorciar com outras, mas nem sempre. É muita coisa para organizar”. Há um ano, Michel utiliza a plataforma Demetra para otimizar o trabalho no Sítio Rizoma. “Principalmente quando tem diversificação, com tantas informações, eu coloco tudo no aplicativo e ele auxilia a ter uma visão melhor de tudo. Desde uma orientação no caso de praga numa planta, até a previsão do tempo, são várias coisas que nos ajudam. Além disso, o produtor orgânico tem por obrigação fazer um caderno de campo diário, tem que constar onde conseguiu as sementes, quantas foram plantadas, se fez aplicação de um óleo mineral, ou calcário, tudo deve ficar registrado, é uma exigência do Ministério da Agricultura (MAPA) e agora tem essa possibilidade de fazer isso pelo celular”, explica o agricultor, que utiliza a plataforma em parceria com a Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Foquilhas (COOMAFITT).

A Plataforma Demetra funciona com o Caderno de Campo Digital, que auxilia na gestão de pequenas e médias propriedades. Produzida pela startup Elysios Agricultura Inteligente, com sede em Porto Alegre (RS), a tecnologia é determinante na rastreabilidade da produção e, em sistemas agroflorestais, comprova a boa produtividade e a sustentabilidade dos cultivos. “A rastreabilidade pode servir para comprovar a compradores, nacionais e internacionais, que um alimento veio de uma lavoura muito mais sustentável. Ao ser atestar que um fruto é proveniente de um sistema agroflorestal, ele passa a ter um diferencial e, com isso, mais competitividade”, afirma o diretor comercial da Elysios, Mário Apollo Brito. E exemplifica as vantagens para o produtor: “Há algum tempo, tanto quem produzia corretamente quanto quem fazia de forma errada, recebia o mesmo valor pela sua produção. Mas as coisas estão começando a mudar. Agora, o consumidor quer saber se a fruta veio de um manejo correto, se foram aplicados produtos autorizados no cultivo. Nós estamos levando uma ferramenta que permite, ao produtor, comprovar que faz certo. E ser remunerado por isso através, principalmente, da conquista de certificações”.

Além da produção de alimentos mais saudáveis, as agroflorestas trazem benefícios como melhora na qualidade do solo, baixa emissão de carbono, conservação da biodiversidade e recuperação de áreas alteradas. É justamente na restauração florestal que se destaca o trabalho do paulista Elder Rodrigues, que presta assistência a pessoas que valorizam cultivar a terra cuidando dela e sabem a importância de transformar áreas desmatadas em florestas. “Atuamos em diversos projetos, na restauração ou produção agroflorestal e nem sempre é em uma área contínua, Por exemplo, na restauração de cem hectares pode haver 20 áreas diferentes, com tamanhos, relevos e características distintas”. O trabalho do engenheiro florestal no gerenciamento de todas essas áreas independentes – mas integradas – também foi facilitado, no início de 2020, com o uso da ferramenta digital Demetra. “A produção agroflorestal é muito fomentada por recursos internacionais e a questão da rastreabilidade é fundamental. Temos um protocolo de boas práticas, documentamos essas ações para, posteriormente, alguém que queira certificar ou receber um incentivo para os cultivos. A plataforma me auxilia em tudo isso, eu consigo criar setores, cadastrar as atividades e gerir cada projeto. E posso fazer tudo sem ficar desgastado ou estressado”, comemora.

O sistema também traz segurança nos resultados. “Normalmente as áreas que você tem para recuperar são locais sem muita viabilidade, onde o produtor não consegue usar, então eu consigo escalonar isso com um sistema de gestão para que outros órgãos consigam monitorar. Um dos diferenciais é que não sou eu que estou gerando o relatório, o cliente vai ver que ele é gerado por um software”, complementa Rodrigues, consultor da Atlas Florestal – Sustentabilidade Criativa.

A produção regenerativa e a restauração florestal trazem impactos positivos para o planeta. “Uma das lógicas que a gente trabalha é a visão de ancestralidade, ou seja, tudo o que a gente encontra hoje vem de um impacto de tempos atrás. Temos que entender que impactos a gente vai causar. As florestas que estão sendo plantadas e recuperadas hoje, precisarão subsidiar uma população que está em desenvolvimento, então eu preciso saber o que foi feito nesses projetos. Temos compromissos na questão de instalar a restauração florestal no Brasil e no mundo”, finaliza o especialista.

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