9 assuntos que você precisa saber sobre o controle químico de pragas, doenças e plantas daninhas da bananeira.

A cultura da banana pode ser afetada por uma diversidade de pragas e doenças, as quais, muitas vezes, necessitam ser controladas quimicamente. Nesse contexto, você já se pegou pensando em como o controle químico de pragas e doenças pode influenciar no sucesso de seu cultivo de banana? Saberia citar quais os produtos fitossanitários mais utilizados nesta cultura, assim como qual a dosagem recomendada de aplicação desses e intervalos de segurança e reentrada que devem ser respeitados?

Para que você possa sanar essas dúvidas e entender ainda mais sobre o tema, criamos uma síntese de perguntas e respostas, as quais se encontram de forma mais detalhada na nossa Cartilha da Banana, o manual de boas práticas agrícolas criado com o intuito de orientá-lo na realização do controle químico de seu bananal.

Veja algumas dicas que irão ajudá-lo a controlar as tão temidas pragas, doenças e plantas daninhas de seu cultivo de banana.

Como são chamados os produtos utilizados no controle químico?

Conforme a Lei Federal nº 7.802 de 1989, o produto usado em um controle químico é conhecido como agrotóxico. Dependendo da região do país e da cultura de cada local, o termo “agrotóxico” pode também ser conhecido como produto fitossanitário, pesticida, agroquímico ou defensivo agrícola.

Agrotóxico

 

Também conhecido como:

Produto Fitossanitário

Pesticida

Agroquímico

Defensivo Agrícola

Cada prod

Cada produto fitossanitário é destinado ao controle de um tipo específico de indivíduo e, conforme a sua classificação, recebe nomes próprios, derivados do indivíduo no qual irá atuar. A seguir, uma figura contendo a denominação dos agrotóxicos de acordo com o alvo/praga a ser controlado:

Denominação dos agrotóxicos de acordo com o alvo/praga

Qual a classe toxicológica dos agrotóxicos?

Em 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o novo marco regulatório para agrotóxicos, medida que atualizou e tornou mais claros os critérios de avaliação e de classificação toxicológica dos produtos no Brasil. Conforme consta na figura abaixo, anteriormente ao Novo Marco Regulatório, haviam 4 classificações de toxicidade de produtos.

Antiga classificação toxicológica dos agrotóxicos

Já com o advento do Novo Marco Regulatório, publicado pela Anvisa em 23 de julho de 2019, o número de classes toxicológicas passou de 4 para 6, como mostra a figura a seguir:

Nova classificação toxicológica dos agrotóxicos

A partir do novo marco regulatório do setor, o nosso país começou a adotar os parâmetros de classificação toxicológica de agrotóxicos com base nos padrões do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals – GHS). Com isso, o Brasil passou a ter regras harmonizadas com as de países da União Europeia e da Ásia, entre outros, facilitando a comercialização de produtos nacionais no exterior.

Qual a dose recomendada de agrotóxico no controle de pragas, doenças e plantas daninhas?

A fim de se evitar danos ambientais, fitotoxicidade, resistência de pragas e doenças, resíduos nos alimentos e desperdício de dinheiro, é recomendado que na aplicação de um produto fitossanitário sempre se utilize a dosagem estipulada no receituário agronômico, na bula ou no rótulo dos próprios produtos.

Como calcular o volume de calda/hectare utilizando pulverizador costal?

De modo geral, o volume de calda gasto será obtido multiplicando-se a vazão do pulverizador (litros/min) pelo tempo que se gasta para a pulverização (min/ha). Para o cálculo do volume de calda a ser utilizado em um pulverizador costal, recomenda-se seguir o passo a passo que consta na figura abaixo. Maiores detalhes e explicações encontram-se nas páginas 7, 8 e 9 da nossa Cartilha da Banana (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR). Importante lembrar que a calibração do equipamento de pulverização é fundamental para evitar a sobra de calda e garantir a deposição de gotas ideal e o sucesso do tratamento. 

Resumo do cálculo de volume de calda

O que fazer com a sobra de calda após uma aplicação?

E se mesmo após calibrar os equipamentos, ainda sobrar um pouco de calda no pulverizador? O destino correto para estas sobras depende do tipo de produto utilizado. No caso de caldas com herbicidas, dilua a sobra em água e aplique nos carreadores (estradas rurais). No caso de caldas com inseticidas, acaricidas, fungicidas ou nematicidas, seguir o já citado anteriormente ou repassar a mistura nas bordaduras das áreas tratadas. É importante ressaltar que, sob hipótese alguma, jogue as sobras de agrotóxicos em rios, lagos, açudes ou diretamente no solo, pois essa ação compromete o funcionamento dos ecossistemas e coloca em risco a nossa saúde.

Quais as melhores condições climáticas para a pulverização de agrotóxicos?

A aplicação de agrotóxicos é um processo que requer cuidados e, para se obter uma pulverização eficaz, uma série de fatores devem ser levados em consideração, como a temperatura, a umidade relativa do ar e a velocidade do vento. Por isso, de modo geral, recomenda-se que uma pulverização seja realizada quando respeitados valores de umidade relativa do ar acima de 50%, temperaturas inferiores a 30 ºC e ventos entre 3 e 10 km/h. Essas condições afetam diretamente no comportamento dos produtos e, consequentemente, nos resultados da aplicação.

Além disso, a fim de evitar a resistência de pragas, doenças e plantas daninhas aos produtos e também a perda de eficiência do tratamento, sugere-se a realização de rotação entre agrotóxicos com ingredientes ativos ou grupos químicos diferentes.

O que significa intervalo de segurança (período de carência) e intervalo de reentrada e qual a diferença entre eles?

No que tange à aplicação de agrotóxicos para controle de pragas, doenças e plantas daninhas, uma dúvida muito recorrente refere-se aos conceitos de intervalo de segurança, também conhecido como período de carência, e intervalo de reentrada. Encontram-se, abaixo, de maneira resumida, as definições para os dois termos:

Intervalo de segurança x Intervalo de reentrada

Agora que você entendeu a diferença entre as duas definições, deve estar sempre atento à leitura da bula e/ou da embalagem de cada produto, pois é lá que irá encontrar o intervalo de segurança e o intervalo de reentrada dos agrotóxicos. “Mas e se eu não respeitar esses intervalos, o que acontece?” O intervalo de segurança deve sempre ser respeitado, a fim de garantir que os alimentos não apresentem resíduos acima do limite permitido pela Anvisa. Da mesma forma, evita-se a apreensão e destruição da colheita, multas e processos, prejuízos financeiros e danos à saúde humana, este último também muito relacionado e derivado do descumprimento do intervalo de reentrada.

É possível colher próximo de áreas que estão sendo tratadas com agrotóxicos?

Não é aconselhável que se colha em localidades próximas de áreas recém tratadas ou próximo de onde se está fazendo um tratamento fitossanitário, visto que a ação de deriva pode carregar resquícios do produto que está sendo aplicado na área vizinha, interferindo na qualidade da colheita de seu cultivo. Além disso, caso haja extrema necessidade de acessar áreas próximas ao local tratado, utilize o equipamento de proteção individual (EPI) adequado. Você encontra mais detalhes sobre o uso de EPIs na página 11 da nossa Cartilha da Banana.

Como se organizar para respeitar os intervalos de segurança e reentrada?

Para que você lembre de respeitar os intervalos de segurança e reentrada, recomenda-se fazer a sinalização das áreas tratadas com agrotóxicos, conforme demonstra a figura abaixo, em um exemplo de aplicação do Score® para controle da sigatoka-amarela e sigatoka-negra na banana.

Sinalização das áreas tratadas com agrotóxicos

Agora, se você deseja trocar as anotações de papel por um caderno de campo digital, o qual otimiza os processos de seu cultivo e, neste caso, faz com que não se esqueça a data de aplicação de um produto e seu respectivo período de carência, venha conhecer a multiplataforma Demetra, uma ferramenta de inteligência agrícola integrada.

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