10 Tecnologias para o campo que estão impactando toda a cadeia de valor agrícola, do plantio até a agroindústria.

A agricultura dos tempos atuais com certeza está muito diferente daquela que era praticada algumas poucas dezenas de anos atrás. Nossos antepassados, com a obrigação de produzir alimentos o suficiente para se manter e obter renda, abriram grandes áreas para instalar pomares e lavouras que nem sempre eram muito produtivos. Era o que o conhecimento na época lhes permitia fazer. 

De lá para cá, muito mudou na produção agrícola. E o grande responsável por isso foi a adoção de tecnologias cada vez mais apuradas, fruto de muitos anos de pesquisas desenvolvidas dentro de laboratórios e fora deles também. Sua utilização permite, por exemplo, a obtenção de produtos com mais qualidade, redução de custos de produção e, principalmente, o aumento da produtividade das culturas.

Um bom exemplo da evolução da agricultura com a adoção de tecnologias modernas e como elas podem representar um aumento na eficiência da produção é dado pela Empresa Brasileira de Produção Agropecuária (Embrapa). Em 1976, a produção de algodão no Brasil ocupava uma área de 4 milhões de hectares, com um produção de 1,2 milhão de toneladas. Ao longo de 43 anos, ocorreu uma surpreendente inversão. Em 2019, a área destinada à produção de algodão passou a 1,7 milhão de hectares e uma produção de 4,3 milhões de toneladas.

Eficiência da produção de algodão no Brasil.

Engana-se quem pensa que a tecnologia está presente apenas nos smartphones e computadores que são lançados todos os anos e que prometem experiências cada vez mais incríveis a quem os utiliza. A tecnologia é hoje um componente fundamental do setor agrícola, fazendo a diferença no rendimento dos cultivos e consequentemente no resultado do produtor e demais elos envolvidos na cadeia. A tecnologia está presente em todas as etapas de produção, desde a semente que deu origem ao café ou ao tomate consumidos por você que está lendo este texto até o pós-colheita e processamento do produto final. 

Alguns fatores justificam a necessidade de se modernizar a agricultura. Dentre eles, podemos citar três: 

1) um planeta com população em constante aumento (que pode ganhar mais 2 bilhões de habitantes nos próximos 30 anos, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas).

2) a grande quantidade de áreas degradadas espalhadas pelos continentes.

3) a redução de áreas naturais preservadas necessárias ao equilíbrio ambiental a nível nacional e global. É preciso produzir alimentos e matérias-primas em quantidade e qualidade suficiente para abastecer o crescente mercado consumidor sem que seja necessário devastar novas áreas.

Apresentamos a seguir as principais tecnologias que têm sido adotadas para contribuir com esse propósito:

1. Aplicativos

A agricultora Eliana Medeiro do Carmo cultiva o guaraná no município de Manacapuru, no Amazonas, e utiliza o app Demetra para facilitar a rotina no campo (Crédito: Bruno Zanardo). Fonte: Coca Cola Brasil

Este tipo de tecnologia representa uma maior organização e praticidade na atividade diária de monitoramento e tomada de decisão pelo produtor. Aplicativos como o Caderno de Campo digital da plataforma Demetra, desenvolvido pela Elysios, permitem um acompanhamento de todas as etapas da produção em um só lugar. A utilização deste recurso torna mais seguro todos os registros que precisam ser feitos e contribui para a rastreabilidade da produção, que é tão demandada hoje em dia para se garantir a qualidade de um produto. 

No caderno de campo digital estão registrados, por exemplo, a origem das sementes e mudas utilizadas, os produtos que foram aplicados e todos os manejos que foram feitos ao longo do cultivo. Além de ser uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão, consiste num check list que é atualizado constantemente, tanto por agricultores quanto por técnicos responsáveis. 

2. Drones

Drone sendo utilizado para pulverização

Também conhecidos como VANTs (veículos aéreos não-tripulados), tornaram-se mais populares nos últimos anos. Na produção agrícola, percebeu-se que podem ser ferramentas bastante promissoras. São pequenas máquinas às quais são acopladas câmeras fotográficas que geram imagens de alta resolução. Podem ser controladas à distância e ao voarem a grandes altitudes, geram imagens aéreas que podem ser utilizadas para analisar as condições de talhões ou de propriedades rurais inteiras. 

Desse modo é possível identificar regiões onde ocorreram falhas de plantio ou onde as plantas estão crescendo desuniformes. As imagens geradas são utilizadas para mapeamento e demarcação de locais escolhidos para o plantio. Também é possível monitorar pragas e doenças e até realizar a pulverização de defensivos na plantação, visto que em alguns tipos de lavouras ou pomares a entrada com implementos agrícolas pode ser difícil. 

3. Sensores

Sensores de umidade e temperatura do ar e do solo em estufa de hortaliças de cliente parceiro.

Os sensores representam uma das principais ferramentas utilizadas pela chamada agricultura de precisão. Como o próprio nome diz, avaliações e tomadas de decisão devem ser mais precisas, mais exatas. Os sensores são dispositivos que detectam e indicam condições ambientais em áreas pequenas. Assim, cada planta será tratada conforme a necessidade indicada com auxílio dos sensores. 

Existem diversos tipos de sensores: de umidade, temperatura, radiação solar, molhamento foliar, compactação do solo, entre outros. Quando o manejo da produção é feito de modo preciso, recursos e insumos são melhor aproveitados e, por consequência, há maior produtividade, menos gastos e maior lucro.

Para mais informações sobre a utilização de sensores nos cultivos, acesse nosso artigo aqui, qualquer maior necessidade de esclarecimento, entre em contato para, juntos, entendermos como podemos te ajudar!

4. Estações meteorológicas

Estação Meteorológica ELYSIOS. Parreiral Inovavitis, Família Anselmi - Farroupilha/RS

São um conjunto de instrumentos e sensores que captam dados do ambiente ao seu redor, os quais serão posteriormente analisados para se obter informações sobre as condições climáticas que estão interferindo no cultivo desenvolvido. As estações meteorológicas medem temperatura, umidade do ar, pluviosidade, direção e velocidade dos ventos, radiação solar, entre outros parâmetros. 

Para o desenvolvimento de uma agricultura de precisão, as informações fornecidas pelos centros e estações do órgão de meteorologia do Ministério da Agricultura (INMET) ou por empresas particulares não são suficientes. É necessário que a propriedade tenha sua própria estação para coleta de dados, o que vai influenciar diretamente na precisão de todos os processos e na produtividade do cultivo.

A quantidade de estações meteorológicas no Brasil ainda é muito inferior ao que seria ideal para atender as necessidades de um país tão grande. Para contribuir com a expansão dessa tecnologia, a Elysios também oferece esse produto aos agricultores.

5. Sistema de GPS e automação

Quadro de comando de automação Demetra em centro tecnologico de melhoramento genético.

Da mesma forma que as imagens obtidas por drones, esta ferramenta permite que seja realizado um completo mapeamento da área da propriedade. Entretanto, a qualidade das imagens nem sempre é a melhor. Ainda assim, o sistema de posicionamento global (GPS) tem outras utilidades bastante interessantes na produção agrícola. As informações obtidas podem ajudar a definir como serão feitas algumas das atividades dentro da propriedade. Mas sem dúvida, a principal utilização do GPS atualmente está na automação de máquinas e equipamentos. 

A automação é a capacidade de máquinas e equipamentos serem controlados sem a necessidade da presença de um operador, inclusive a distância. É algo muito parecido com o piloto automático de carros e aviões. Para que isso ocorra, os comandos são previamente configurados e as tarefas são executadas com auxílio de sensores e dos sistemas de GPS. 

Assim, temos tratores que são capazes de se conduzirem sozinhos, inclusive fazendo ajustes de velocidade e desviando de obstáculos. E colhedoras autopropelidas que separam palha e grãos durante o processo de colheita. Mas não é só em grande escala que a automação pode estar presente. Dentro de estufas, sistemas de irrigação ou de iluminação, por exemplo, quando ligados a sensores podem ser acionados automaticamente.

6. Internet das “coisas” (IoT)

Esta tecnologia é bastante ampla, pois engloba boa parte das tecnologias citadas até então, além de outras não mencionadas. A ideia aqui é conectar as tecnologias envolvidas, de modo que elas “conversem” entre si. O resultado é a geração de uma grande quantidade de dados sobre o cultivo e a área que serão utilizados para a tomada de decisões rápidas.

Essa “conversa” ocorre por meio de conexões de internet sem fio. E assim, por exemplo, sensores instalados em pulverizadores detectarão a presença de plantas invasoras nas linhas de cultivo e enviarão essa informação ao sistema do implemento, que aplicará herbicida apenas nas regiões onde foi detectada a presença das invasoras. Temos então uma economia de tempo e principalmente um melhor aproveitamento do insumo. Outro exemplo: sensores de umidade e temperatura podem acionar o sistema de irrigação e ventilação de estufas quando detectada a necessidade de sua utilização.

7. Sementes

A semente é um grão que recebe um cuidado a mais para que possa dar origem a novas plantas e, portanto, é um insumo extremamente importante em qualquer cultivo. Uma semente de qualidade hoje não é fruto de sorte, mas do emprego de tecnologias. Dentre as principais, está o melhoramento genético, que é feito com foco nas plantas adultas e também nas próprias sementes. 

Através de ferramentas de biotecnologia é feita a manipulação dos genes de plantas de interesse econômico para obtenção de cultivares com características desejáveis, tais como resistência a estresse hídrico e a pragas e doenças e tolerância a solos ácidos. 

Outra tecnologia bastante empregada nas sementes de algumas culturas é o seu revestimento. Os objetivos com esta técnica são os mais diversos e vão depender do produto que é utilizado para revestimento. A adição de adubos de liberação lenta servirá como aporte de nutrientes para a germinação e início do desenvolvimento da planta. A adição de microrganismos benéficos, como é o caso de bactérias do gênero Rhizobium, permitirá a absorção de nutrientes que não estariam disponíveis se não ocorresse essa interação. E o revestimento também pode ser feito com defensivos químicos, que apresenta a vantagem da utilização de uma menor quantidade destes produtos.

A Elysios, tão presente na área de tecnologia voltada para a agricultura, não trabalha com sementes, mas já desenvolveu um trabalho com a Incotec, empresa multinacional referência em melhoramento de sementes. Neste trabalho, uma estufa de testes foi automatizada para garantir a repetibilidade dos experimentos e facilitar a obtenção de dados. Saiba mais sobre esta parceria em nosso relato de caso.

8. Fertilizantes

A mistura de nutrientes em formulações como o NPK já é bem conhecida dos agricultores. Entretanto, esses tipos de fertilizantes possuem limitações. Dentre elas, está a suscetibilidade a perdas por processos naturais como volatilização ou lixiviação.

 Para redução destas perdas, uma das tecnologias mais eficientes que tem sido ainda aprimorada é a utilização de polímeros sintéticos para envolver os grânulos do fertilizante. A capa formada, além de servir como proteção contra perdas, permite a liberação lenta e gradual do fertilizante, na velocidade de absorção pelas raízes das plantas. 

Outras tecnologias atuais são os fertilizantes organominerais sólidos com características específicas que os tornam menos suscetíveis a perdas, e os extratos de algas misturados às formulações, os quais oferecem benefícios adicionais ao desenvolvimento das plantas. 

E sempre é bom lembrar que um cultivo sadio e produtivo não precisa de nutrientes nem demais nem de menos. Nutrientes em excesso podem causar problemas e falta de nutrientes não levam o produtor ao alcance de seu objetivo. Boas práticas no manejo do cultivo, além da utilização de um caderno de campo sempre atualizado e da ajuda de profissionais são muito importantes para o equilíbrio na produção.

9. Defensivos químicos

O uso de tecnologias na produção de defensivos químicos para o controle de pragas e doenças é cada vez mais necessário para a obtenção de produtos que sejam menos agressivos ao meio ambiente e à saúde humana. A principal tecnologia aqui é o desenvolvimento de moléculas que exijam menor dose para controle de pragas e doenças, que tenham ação específica dentro dos organismos-alvo e que possuam maior capacidade de degradação. Resultados já têm sido obtidos com utilização de nanopartículas de óxidos metálicos e partículas que já são conhecidas em outras áreas de conhecimento.

O uso de tecnologias também é necessário no momento da aplicação dos produtos no campo. Os pulverizadores devem ser calibrados corretamente e existem no mercado diversos tipos de bicos: dentre eles, bicos com ponta antideriva ou ponta com indução de ar (venturi). Estas estruturas auxiliam no controle do tamanho de gota e podem evitar a deriva, que representa perda de produto e maiores gastos com o tratamento fitossanitário. 

Assim como na utilização dos fertilizantes, a aplicação dos defensivos químicos também precisa de um equilíbrio. Pois excessos ou subdoses também podem causar problemas! E mais uma vez, boas práticas, auxílio de profissionais e um caderno de campo atualizado são muito importantes.

10. Controle biológico

Tendo em vista que o mercado consumidor procura cada vez mais por produtos orgânicos, o uso de controle biológico tem crescido. E os benefícios vão além da ausência de resíduos no produto final. Este tipo de tratamento pode ser mais econômico a longo prazo. Até o ano de 2019, pelo menos 23 milhões de hectares cultivados no Brasil já haviam recebido esse tipo de controle de pragas, conforme a Embrapa. 

As tecnologias nessa prática se concentram na descoberta de novas cepas de fungos e bactérias mais adaptadas, utilizadas como bioinseticidas. E sua aplicação em lavouras e pomares tem sido feita com auxílio de drones. Os principais microrganismos utilizados são os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae e a bactéria Bacillus thuringiensis. Este último não apenas é um dos agentes de biocontrole mais utilizados no mundo, como também teve genes incluídos no genoma do milho por meio de técnicas de transgenia.

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