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Previsibilidade de doenças e aplicação de pesticidas no cultivo de Videiras

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Nossa serra gaúcha é a maior região vitícola do Brasil e é responsável por 90% da produção no país, muito disso em função da herança cultural dos descendentes italianos que trouxeram o conhecimento e videiras para a região. No entanto, a parreira, como também pode ser chamada, é uma planta sensível e por isso suscetível a diversas pragas e doenças, como o Míldio, por exemplo. Dessa forma, é necessário um cronograma intensivo de aplicação de pesticidas para atender aos padrões de produção e a demanda do mercado.

Parreiral em Bento Gonçalves, região famosa pela produção de vinhos e que sofre bastante com a incidencia de doenças nas plantas.

Dentre os tipos de pragas e doenças, aquelas que são causadas por fungos são muito importantes para entendermos os aspectos econômicos e produtivos de uma safra. O fungo tende a infectar todos os tecidos verdes da videira, mas o seu maior dano é causado às folhas e aos frutos silvestres impactando diretamente na produtividade da videira. Assim, os fungicidas são responsáveis pela maior parte dos tratamentos na maioria das videiras, tendo uma média de 14 aplicações e chegando em até 30 aplicações nas condições mais extremas e problemáticas, encarecendo a produção.

As doenças são tipicamente controladas com essas aplicações periódicas de fungicidas foliares e, em muitos casos, essas aplicações não são feitas de forma preventiva, mas sim remediativa. Estas aplicações desnecessariamente excessivas, o que pode acarretar em um maior gasto, seja em maiores aplicações e também em remédios para as plantas. Ou por outro lado, há um uso excessivo de aplicações sem a real necessidade.

Hoje em dia existem diversos problemas associados à aplicação de pesticidas químicos e sintéticos, tanto relacionados à saúde de quem aplica diretamente, quanto à qualidade do solo e sua biodiversidade, dessa forma, a demanda do consumidor por produtos livres de resíduos e a solicitação aprimorada de proteção ambiental estimularam a pesquisa de novas ferramentas para o manejo de pragas e doenças na agricultura como um geral.

 

Parreiral na Sicília, Itália. Região tradicional de produção de uvas. Pouco afetadas por problemas fúngicos pelo clima! Foto: Paolo Stincone

É possível combinar diversas ferramentas diferentes para reduzir a entrada de pesticidas químicos e sintéticos nessa cultura. As práticas agronômicas, isto é, a redução do inóculo ou a melhoria do microclima da planta em ambientes controlados, a fim de evitar condições favoráveis às pragas e doenças, são comumente implementadas na maioria das áreas de cultivo de uvas.

Existem também variedades mais resistentes e tolerantes, que podem representar uma solução para reduzir os tratamentos com fungicidas, no entanto a sua implementação é amplamente limitada pelo mercado, especialmente para vinhos produzidos em áreas típicas, que possuem requisitos para alguns selos de produção, por exemplo.

Também existem Biopesticidas baseados em microrganismos ou moléculas naturais. Esses podem representar uma alternativa aos químicos sintéticos, porém várias das soluções existentes apresentam desvantagens ou fatores limitantes, o que impede uma rápida absorção pelos agricultores (Lamichhane et al., 2016). Seja por serem caros e de difícil acesso, ou simplesmente por não haver conhecimento por parte dos consumidores.

Já existem estudos que comprovam que o uso de sensoriamento, aliados com certo nível de inteligência levam à uma redução considerável no uso dos pesticidas agressivos e de alta toxicidade através de modelos matemáticos e monitoramento. Ou seja, esse modelo de controle de doenças de plantas é uma recriação  de um sistema real composto pelo patógeno (doença), a planta hospedeira e o ambiente. Com o aprimoramento da qualidade e o poder de computação oferecidos hoje em dia, os modelos foram consistentemente incorporados em sistemas de suporte a decisões, e com a união desses modelos com sensores inseridos no cultivo, já se pode prever a possibilidade de doenças nos cultivos e assim a aplicação é otimizada ao ser direcionada apenas onde e quando for necessário.

A partir disso, a Elysios propõe o uso desse tipo de tecnologia com as suas soluções de sensoriamento e automação, se baseando em modelos matemáticos recentes e publicados por diversos grupos de pesquisa especializados pelo mundo todo. Aqui fazemos a conexão entre o meio acadêmico e o prático, inovando e entregando soluções que falam a língua do produtor e que são coerentes com a sua realidade financeira. Confira mais sobre as nossas soluções em: https://elysios.com.br/servicos/

Por Paolo Stincone, Diretor de Pesquisa da Elysios

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