Como o sensoriamento remoto e automação no campo de produção fazem você economizar.

O desafio da produção de alimentos em quantidade e qualidade suficientes está cada vez maior. A população mundial não para de crescer! E agora, quem poderá nos salvar? Não o Chapolin Colorado, mas a tecnificação das produções. A descoberta e a adoção de novas tecnologias, mais eficientes, é a estratégia que o setor agrícola precisa para crescer.

Imagine o desafio de um agricultor que possui uma área de 3 mil hectares de lavouras e precisa controlar tudo que ocorre em tantas plantas. Produzir o máximo praticável, evitando perdas sempre que possível. Agora imagine o cenário inverso: um agricultor proprietário de uma área de 20 hectares que deseja aproveitar todo o espaço possível e aumentar seu lucro sem precisar adquirir novas áreas.

A tecnologia pode facilitar o trabalho de quem tem muito chão para plantar e extrair o máximo potencial da lavoura de quem precisa ter mais “jogo de cintura” para equilibrar as contas no final do mês. Em alguns casos, o custo para aderir a essas tecnologias pode até ser elevado, porém a longo prazo esse custo se dilui e o lucro passa a ser maior que antes. 

Essas tecnologias são muito desenvolvidas em países que não possuem muitas áreas que possam ser destinadas à agricultura ou que não possuem grande potencial para a produção agrícola devido a condições ambientais severas. Estes países possuem o mesmo desafio dos demais: a produção de alimentos. O Brasil, com a imensa quantidade de áreas agricultáveis que possui, utilizando tecnologias modernas no campo pode ter uma produção ainda maior. Entretanto, estas tecnologias ainda enfrentam a resistência da maioria dos produtores rurais devido a necessidade de mais informação e a alguns fatores apontados por pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT), como o número limitado de computadores nas propriedades, as altas taxas de importação para equipamentos de última geração e o baixo valor dos produtos agrícolas no mercado.

Dentre as tecnologias mais modernas, os sensores associados a máquinas e equipamentos automáticos representam uma das técnicas utilizadas com objetivo mais amplo dentro da produção agrícola. Pequenos e grandes produtores podem experimentar seus benefícios das mais variadas formas. E o resultado econômico conta principalmente com a redução dos gastos com insumos e mão-de-obra. Além disso, as decisões podem ser tomadas de maneira mais rápida, economizando tempo. E como sabemos, tempo é dinheiro!

Alguns exemplos de números são apresentados pela empresa de tecnologia Agrichem. A utilização de tecnologias baseadas em sensoriamento remoto pode aumentar em até 70% o rendimento de uma safra e diminuir em 10% o gasto com combustível, em até 30% o gasto com água e em até 99% a aplicação de herbicidas. Falamos muito de produção de plantas, mas na produção animal também temos bons exemplos. Segundo matéria da revista Fonte, softwares que controlam o consumo de alimento de vacas leiteiras indicaram uma redução de consumo excedente de 30% para meros 3% após a adoção da tecnologia. A economia, numa atividade onde 60% do custo de produção consiste em ração, é significativa. 

Mas como a economia acontece em alguns dos principais componentes da produção agrícola?

Irrigação

Sensores instalados junto dos cultivos fornecerão dados sobre sua condição hídrica em tempo real. O sistema de GPS fornecerá mapas. Com essas duas ferramentas aliadas, temos em mãos as informações necessárias para a tomada de decisão. Elas estão conectadas por meio de internet sem fio ao software que comanda o sistema de irrigação, que será acionado no momento certo, nos locais escolhidos, pelo tempo necessário para suprir a necessidade hídrica das plantas. Saiba mais sobre este tipo de automação aqui. 

Isso pode ocorrer em estufas ou no campo. Neste último caso, grandes propriedades utilizam estruturas conhecidas como pivô central para irrigação de áreas circulares. Quando for acionado, poderá ter sua velocidade regulada para se deslocar mais lentamente em áreas que precisam de mais água e mais rapidamente em áreas que precisam de menos água. Ainda há a possibilidade de controlar a vazão dos bicos aspersores ou escolher quais irão funcionar em cada ocasião. 

Todos estes ajustes levam a uma irrigação por taxa variável, apenas onde demandada e na quantidade demandada. Além de uma economia com água, a tecnologia utilizada contribui para a maior sustentabilidade da atividade. Menor quantidade de água será retirada de rios e lagos.

Aplicação de defensivos e fertilizantes

Sensores de refletância instalados no equipamento utilizado para pulverização identificam a presença de plantas invasoras nas entrelinhas e o herbicida é imediatamente aplicado apenas nos locais onde elas estão. Trata-se também de uma aplicação a taxa variável, que leva em consideração a variabilidade de condições encontradas no cultivo. 

Além disso, os sensores podem fornecer dados sobre as condições da vegetação que serão utilizados para gerar mapas numa técnica conhecida como NDVI (Normalized Difference Vegetation Index, ou, Índice de Vegetação da Diferença Normalizada). Nesses mapas, diferentes cores indicam o estado da vegetação (desde plantas mortas até plantas muito saudáveis) e assim guiam decisões e comandos que podem ser realizados à distância. Desse modo, é feita uma melhor administração da aplicação de defensivos agrícolas e de fertilizantes, assim como a detecção de falhas de plantio. 

Fonte: http://www.engesat.com.br

Um modo ainda mais barato que tem sido utilizado para aplicação dos defensivos agrícolas nas lavouras é com o auxílio de drones. Eles carregam os sensores e lançam o produto na área onde detecta que há necessidade. Todos os seus controles são feitos à distância. 

Seja pela redução de aplicações nos cultivos ou por uma modificação nos meios de aplicação, ocorre uma economia em combustíveis, que estão cada vez mais caros

Mão-de-obra

Quando ocorre redução de aplicações, máquinas transitam menos pelos cultivos e consequentemente será necessário menos horas de trabalho de pessoas contratadas para conduzir as máquinas. Mas a redução dos gastos com mão-de-obra acontece principalmente com a automação dos equipamentos. Tratores e pulverizadores não precisam mais de condutores e estufas podem ter seus sistemas de irrigação e iluminação controlados à distância. 

A Elysios desenvolveu um trabalho na Fazenda Solana, em Arapongas (PR), onde são produzidas matérias-primas para fabricação de medicamentos para humanos e animais. Com a implementação de estufas automatizadas, observou-se uma economia de 6 horas por colaborador nos processos de coleta de dados de temperatura e abertura/fechamento da estrutura para manutenção da temperatura das estufas.

Um estudo feito por pesquisadores do Mckinsey Global Institute apresentou uma estimativa de que metade de todas as atividades que hoje são desempenhadas por trabalhadores pode ser automatizada até o ano de 2055. O que parece desemprego, pode ser encarado como a necessidade de mudança e de adaptação ao novo cenário mundial. A necessidade será de mão-de-obra qualificada.

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