Parte 2: O que é e como funciona a Internet das Coisas na Agricultura!

Continuando o nosso último post sobre o assunto, falamos sobre um próximo conceito que é muito importante para entendermos a complexidade e impacto da internet das coisas dentro da agricultura.

Similarmente compondo o time dos conceitos da Indústria 4.0 existem os Sistemas Ciber Físicos que podem ser descritos em alto nível como os “Sistemas de Sistemas” ou subsistemas de IoT. Em um sistema ciber físico acontece a união de diversos dispositivos físicos e embarcados, virtualmente conectados e se comunicando entre si, sendo assim, capazes de realizar tarefas que vão até onde a imaginação do usuário puder chegar. Aqui como exemplo podemos citar um quadro de comando de uma estufa inteligente  fisicamente unindo sensores, relés, válvulas de controle e também um computador industrial. Esses elementos juntos gerenciam todo o ambiente de uma estufa com irrigação controlada, níveis de fertilizantes balanceados, umidade do ar ajustada, entre outros, por outro lado, são vistos como apenas um único elemento virtual na internet, nesse caso do exemplo, uma estufa.

Agora imaginem a situação: um agrônomo solicitou no aplicativo de controle no seu smartphone para que  a irrigação de uma determinada estufa fosse de acordo com a previsão climatológica dos próximos dias. A estufa por sua vez detectou que em dois dias uma alta umidade se aproxima. Com essa informação a estufa já diminui a irrigação e a aspersão a fim de deixar o ambiente mais seco e menos suscetível a fungos e bactérias decorrentes da alta umidade. Essa breve situação descrita é o exemplo de um serviço, pois foi necessário apenas uma solicitação para de forma autônoma todo o resto acontecer. Entretanto, nessa solicitação do agrônomo, diversos procedimentos foram abstraídos deste usuário, fazendo com que para ele, a execução de um algoritmo de correlação de diferentes bases meteorológicas, unido as informações do sensor de luminosidade, sensor de temperatura e umidade do ar, fossem apenas um botão “Ajustar irrigação por previsão do tempo”.

Sensor e módulo de comunicação instalado em estufa de Cliente Elysios. Se comunicando 24/7 com o sistema Demetra de Inteligencia.

Os serviços são o real objetivo da IoT. Entregar funcionalidades que tornem a vida dos cidadãos mais fácil. A partir dos serviços surge o terceiro conceito principal em Indústria 4.0, Internet dos Serviços. Esse conceito já está sendo visto como a atualização da IoT, pois a IoT conecta objetos a internet, mas são os serviços que dão real inteligência e inovação a esse ambiente. Dessa forma, a Internet dos Serviços atende às demandas criadas pelos próprios usuários.

A Internet dos Serviços surge como consequência da Internet das Coisas, em que os produtos (coisas) se conversam e trocam informações pela internet. A partir disso, abre-se uma lacuna em que serviços podem ser oferecidos para esses produtos, em moldes de mensalidades que fazem com que a atuação de uma empresa com um cliente não se resuma apenas à venda do produto, mas também na manutenção deste produto, oferecendo um serviço agregado que visa sempre adaptar e melhorar essa solução. 

Isso acontece de forma que no produto há uma coleta de dados, seja por sensores, ou até mesmo por meio do próprio usuário, que alimenta o sistema com informações. Um grande exemplo que vemos hoje é a Tesla, que oferece carros com um software que pode ser atualizado através de internet, fazendo com que o carro tenha um melhor desempenho nas ruas. Ou seja, os dispositivos conectados na internet das coisas quando sozinhos não entregam tanto valor quanto atuam coletivamente como um serviço.

Percebeu como tudo isso está relacionado? IoT fazendo a conexão e comunicação entre “coisas”, sistemas ciber físicos no mundo real criados a partir de um conjunto de “coisas” e por fim os serviços como benefícios para a sociedade, obtidos através de toda essa infraestrutura de hardware, software e comunicação.

Esses 3 conceitos juntos tornam possível a Indústria 4.0 que em sua essência falando um pouco mais tecnicamente tem alguns princípios fundamentais, os quais podem ser listados como abaixo:

  • Capacidade de operação em tempo real: Consiste em obter dados, transmitir e processar a fim de se obter informações, isso de forma instantânea e em tempo real.
  • Virtualização: Transformar elementos físicos em elementos virtuais para que possam ser mais facilmente manipulados. Por exemplo, conseguir criar a unidade de uma fábrica virtualmente para assim facilitar as simulações de processos e obter a máxima eficiência entre eles. Isso também permite a rastreabilidade e monitoramento remoto de todos os processos por meio dos inúmeros sensores espalhados ao longo da cadeia produtiva.
  • Descentralização: As tomadas de decisões poderão ocorrer nos sistemas ciber físicos, altamente distribuídos geograficamente, de acordo com as necessidades da produção em tempo real. Além disso, as máquinas não apenas receberão comandos, mas poderão fornecer informações sobre seu ciclo de vida.
  • Orientação a serviços: Utilização de arquiteturas de software orientadas a serviços aliado ao conceito de Internet dos Serviços.
  • Modularidade: Execução de acordo com a demanda, acoplamento e desacoplamento de módulos. Flexibilidade para alterar as tarefas.

Pois bem, a revolução da Indústria 4.0 tem grandes objetivos. Aqui no Brasil estima-se que poderia ser possível uma redução de até R$ 73 bilhões/Ano em custos industriais, além de ganhar mais R$ 34 bilhões/Ano com eficiência, também R$ 31 bilhões/Ano a menos em custos com manutenção de maquinário industrial e por fim, R$ 7 bilhões/Ano de economia com energia. Mesmo com todos esses ganhos divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, ainda assim, 43% das empresas do Brasil ainda não enxergam como a tecnologia poderia alavancar a competitividade no setor industrial e assim se tornar uma aliada no segmento.

Da mesma forma que acontece na Indústria 4.0, podemos dizer que no setor da agricultura no Brasil também existe um certo tipo de “preconceito” em relação a utilização de tecnologias, fazendo que o principal desafio para a aplicação de técnicas e metodologias que visam otimizar os recursos no campo seja primeiro ter que convencer o produtor dos reais benefícios disso. 

Por Me. Matheus Crespi Schenfeld, Diretor de Serviços de Tecnologia na Elysios Agricultura Inteligente.

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