Certificação de Café: um Rótulo de Sucesso

Todos os dias, em todos os cantos do mundo, a tradição se repete: para acordar ou seguir a rotina diária é preciso tomar uma xícara de café – seja ele puro, misturado ao leite ou de qualquer um dos inúmeros modos de preparo. E o consumo só aumenta! A Organização Internacional do Café (OIC) registrou um consumo mundial deste grão superior a 160 milhões de sacas de 60 quilos no último ano cafeeiro, e há expectativa de crescimento de 8% ao ano para os próximos cinco anos.

Inserida neste montante, está uma parcela que cresce mais, aproximadamente 12% a cada ano. É o consumo dos chamados cafés especiais. Para ser considerado especial, um café deve ser livre de impurezas e defeitos e possuir uma série de atributos sensoriais, tais como doçura e acidez, que lhe rendam uma pontuação mínima dentro de uma escala de desempenho. Além disso, deve-se respeitar critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica durante todo o processo de fabricação e beneficiamento. Esta é a definição da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Atualmente, um café especial é um café certificado. A certificação de um produto assemelha-se à conclusão de um curso em uma instituição de ensino. Ao final dos estudos, o esforço em se qualificar é recompensado com um troféu chamado certificado de conclusão. Na produção agrícola – assim como na produção industrial – para que todo o processo se tornasse algo organizado, o mesmo foi padronizado. Para ser certificado, então, é necessário que o café produzido e avaliado se enquadre em determinados padrões que foram definidos como sendo ideais e que agradam os clientes mais exigentes. Assim, o café que recebe um certificado é o orgulho do produtor, pois recompensa seu esforço para oferecer um produto diferenciado. 

A certificação de um café o torna mais competitivo diante a concorrência e mais atrativo aos olhos do mercado consumidor, que está sempre em busca de produtos diferenciados, livres de falhas e com qualidade garantida. Em muitos casos, principalmente no mercado externo, cafés que não possuem ao menos um selo de certificação poderão ser rejeitados por não estarem de acordo com as exigências impostas pelo mercado consumidor que se quer atingir.

Entretanto, o processo para que a certificação do café seja alcançada não é simples e conta com o acompanhamento de todo o processo produtivo, desde a implantação da lavoura até a obtenção do produto final. Sendo assim, a rastreabilidade da lavoura é fundamental para a obtenção da certificação, que atesta a qualidade do produto oferecido. Apesar dos custos elevados, a certificação também eleva a renda dos produtores rurais e dos demais elos da cadeia produtiva e consequentemente melhora a qualidade de vida de todos os envolvidos. Os benefícios ao consumidor vão além da oferta de um café de excelentes atributos, uma vez que a certificação representa uma garantia de segurança alimentar.

Como já vimos, a certificação pode ser um processo muito amplo, atestando não apenas a qualidade física do produto, mas também outros fatores, que vão depender da categoria em que se deseja enquadrar o café produzido. Se forem avaliados apenas os atributos sensoriais do grão torrado, o café poderá ser classificado como gourmet. Por outro lado, para ser considerado um café orgânico, seu cultivo deve levar em consideração normas de sustentabilidade ambiental bastante específicas. Os cafés de origem certificada, por sua vez, provêm de regiões que possuem tradição na produção deste alimento. 

O café é uma bebida muito importante para os brasileiros. Tanto dentro do país – uma vez que o mercado interno é um dos maiores mercados consumidores do mundo – quanto fora dele – tendo em vista o grande volume de exportações e sabendo-se quem são os maiores consumidores mundiais. Tamanha é sua importância, que existe uma variedade de certificações que podem ser obtidas, e cada uma gera um selo que vai impresso nas embalagens.

Certificações e Selos

A principal e mais comum certificação do café brasileiro é feita pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). A partir de amostragens anuais de café torrado são atestados a pureza e a qualidade dos cafés avaliados, os quais são classificados em quatro categorias: extra-forte, tradicional, superior e gourmet

Para receber o selo Produto Orgânico Brasil, o café produzido deve ser proveniente de cultivos nos quais não foi utilizado nenhum tipo de fertilizante químico e o controle de pragas e doenças foi feito por meio de controle biológico, ou seja,  que dispensa o uso de defensivos químicos. Esta certificação é empregada não apenas na produção de café, mas também em uma infinidade de outras culturas em território nacional, sendo amplamente difundida.

Dentre as certificações de origem, temos o selo de Denominação de Origem do Cerrado Mineiro e o selo Certifica Minas Café. São concedidos a cafés que vieram de lavouras nas quais são implementadas boas práticas de produção. Entretanto, apenas podem receber essa certificação cafés produzidos no Estado de Minas Gerais, que já possui tradição na cafeicultura. Os cafés lá produzidos valem-se também do fato de serem considerados um produto único, cultivados em uma região com uma associação de fatores somente encontrada lá, tais como a constituição de solo e clima.

Já o selo Fairtrade Brasil agrega valor a cafés que foram produzidos de modo sustentável, preservando o meio ambiente e a biodiversidade ao redor, e garantindo condições de trabalho adequadas a todas as pessoas envolvidas na produção. Para a obtenção deste selo é fundamental que todas as etapas da produção sejam constantemente monitoradas e registradas – a já conhecida rastreabilidade. 

Com objetivos semelhantes, mas com alcance internacional, existem os selos  UTZ Certified e Rainforest Alliance Certified. Independentemente da certificação escolhida, é necessário colocar-se na balança todos os fatores envolvidos para fazer a melhor escolha e obter os melhores resultados.

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